domingo, 2 de fevereiro de 2014

A ausência que faz presença


Era uma vez um menino, contada na perspectiva do narrador, que fotografava palavras, imagens que nunca vira mas que lhe eram contadas...

Esse menino burlava a sua própria lei, pedindo atenção do Nome do Pai, que nunca estava presente  em sua história para te impedir e dizer o que não pode.
Pensava esse menino sem pensar... Serei eu alguém como ele para sua atenção conseguir.
Assim como em um jogo ora ganha ora perdia, o que esse jogo ilusoriamente garantia era sua "presença" fantasiada pelo migalhas das lembranças e as possíveis falas sobre o Pai com P maiúsculo.
O que esse menino passava fazendo durante toda sua vida era... Sentir o pai, que só era presente na ausência real que sentia.
Ele poderia ter a presença física dele quando quisesse depois que cresceu, e raramente quando se encontravam era uma verdadeiro encontro. O Pai era quase todo outro do que lhe contara.
Do que se tratava então essa ausência nesse menino?
Na sua verdadeira verdade ele não era sozinho quando estava sozinho, ele estava sentindo muito prazer na fantasiosa presença do seu pai que só aparecia na ausência que ele sentia.
Esse menino um dia teve problemas quando quis crescer...
Ficou na dúvida se crescia ou não...
Um certo dia achou que precisava crescer... E crescer dói, alguém dentro dele lhe pedia pra se parecer consigo, quando ele se esquecia. 
Ele então se confundia com o que tinha criado, ele era o que podia ser ou aquilo que garantia aquela sensação prazerosa? 
Os fantasma assombrava-o por diversos dias, ele lembrava que então talvez precisasse crescer, e partia de onde tinha se esquecido.
Como um caminhãozinho sabia que se fosse feito de madeira era mais forte, tinha construção, carinho e dedicação.
Seu caminhãozinho foi um presente de quem estava presente no seu presente e que agora não pode mais.
O menininho não era mais menininho, e começava a sentir como crescer sem o verdadeiro presente dói e dá responsabilidade.
O menininho estava num impasse...
Ou continuava menininho abraçado pelo lugar que garantia na sua cabecinha o cuidado do seu pai por ele, ou decidia seguir em frente e não ser mais aquele menininho... Ser desta vez um pai que sempre sonhou em ser pra um filho e tudo mais que vem junto para viver na família fantasiada, claro, mas agora, fala desprendido e com muita maturidade.




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