segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ela disse que não sabia se ficava; se ia.
Caralho.
 A trilha, toda ela, foi pra ela.
 Os caminhos – todos eles – foram pra ela. Agora nem uma vela consigo acender.
 Pra deixar em paz a morte do que tinha aqui dentro.
A flor murcha que me tornei desde aquele dia.
 Uma tarde presenciei ela gritar: ‘Não me liga. Não me procura.
’ Ela não queria nada que viesse de mim.
 E, sem saber, a cura pro meu quadro era só um ‘sim’.
Só saber que haveria um beijo.
Que eu a veria cortando queijo com goiabada. Ficando pelada.
Mudando o mundo com aquele coração bom.
 Colocando um som e e oferecendo a cintura pra que eu conduzisse os passos.
Me oferecendo abraços e a taça pra que eu despejasse vinho, então, desaguasse amor.
Ainda mais amor.
Ontem, de novo, ela disse que não sabia se ficava ou se ia.
 E nesse meio tempo alguém cruzou a linha e me salvou.
 Preparei uma bebida pra aprender a dizer: por favor, fica.
 Não perco mais ninguém por orgulho.
 Aqui não há dessas vaidades.
 Acabei com ela em mim fazendo meu eu sumir.
 Não minto: meu eu sorrir.

 Fui meu crime passional e me sinto bem aqui: há velas acesas, flores maravilhosas.
 E, dessa vez, ela ficou.

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